Oração

03 junho, 2015

Não cabe mais nós, nem dós, nem dois
Tomarei lugar em outro espaço, outro abraço e não me deixarei mais pra depois
O que vier, eu grito, adiante-se! 
Não posso, nem vou esperar
Que essa lição já acabou, nossa missão não era amar

A verdade eu digo, eu choro e peço
E mesmo assim, o que faz é esquecer
Eu te peço um beijo, um carinho, desejo que você possa me ver
Sou a mesma de antes, com olhos castanhos e cabelo diferente
Não faço planos, e reclamo com os deuses, céus, o que fizeram com a gente?

Não me esqueça mesmo se eu ficar só
Eu mudo o caminho, te deixo sozinho, você diz que assim é melhor
Não que eu concorde com isso, nem que seja legal,
Mas assim eu te tenho, mesmo não tendo o nosso final
Sinceramente, se você mente, faz muito bem
Não faz conquista descente, mas comove a gente que nem te quer bem
Já sei dos seus planos, dos móveis, dos anos que adquiriu
Já tem uma casa, bem longe do lar que construiu

Por favor, não me deixe aqui

Sozinha no escuro, na luzes, no canto, não pertenço aqui
Se a nossa música finalmente tocar, lembra de mim, 
Me busca aqui, não vou mais chorar

Prometo uma coisa, se você me deixar
Eu vou embora, meu pé já está lá fora, não vou mais voltar
Se quiser me seguir, me faça rir
Como antes, agora tão distante, finalmente eu vi
Eu vi, eu vi... Vivi o mundo que você me deixou de presente,
Agora e aqui 


Não me deixe memórias, nem ligações
Já mudei o telefone, a rota e minhas orações
Fique bem, peço ao senhor
Imploro, perdão
Me deixa esquecer o homem que me amou
Me deixa esquecer o meu grande amor

Fechar a porta não basta

20 maio, 2015


Nota do autor: sem te dar spoilers sobre o fim, mas tudo vai ficar bem.

Há coisas nessa vida que ninguém pode evitar, e uma delas é o fim. Da vida, do Miss Dior, do seu biscoito favorito ou de um relacionamento. Tudo parece pior e nada é capaz de trazer o otimismo dos dias felizes de volta. Ok, Thais. Tem gente que consegue superar numa boa, queimando as coisas ou só pensando "vou seguir em frente e ponto". Tem gente que é mais "forte", mas quem disse que ser sensível é sinônimo de fraqueza? E tem gente que não sabe trabalhar com pontos. Aliás, só com reticências.

Já posso adiantar ou desanimar que não tem receita, fórmula ou macumba que dê jeito. Viver o luto é inevitável. Meu conselho é: não minta pra você mesmo. Pior que mentir pra alguém, principalmente pra todas as pessoas que se importam, é enganar alguém que você deveria, mais que tudo nessa hora e daqui pra frente, amar com todo coração: você. Não adie a dor, não esqueça na gaveta. Não tranque dentro de você, não. Uma hora, a gente quer achar uma roupa diferente, quer fazer diferente, e acaba encontrando aquela "calcinha" velha que já deveria ter ido pro lixo.

Até pode parecer impossível, mas não mude o cabelo. Sábias palavras da minha avó que sempre disse que, quando se está triste, não devemos mudar o visual. Nada de cortar, pintar ou aparar as pontas. Nossas energias estão sendo "liberadas" nesse momento, então não estranhe se nascer uma espinha, se o cabelo virar palha e os olhos perderem o brilho. A felicidade é o melhor rejuvenescedor, e só funciona de dentro pra fora. Não gaste dinheiro com cosméticos. Vai viajar, vai! Ver outras pessoas, outros lugares... Você vai acabar percebendo que perder horas no salão não é nada comparado a se perder no mundo, pra se achar, então.

Outra coisa muito importante: está na hora de apagar as músicas do celular e conhecer novas bandas, cantores e preencher seus ouvidos com melodias que não te lembrem do passado. Ainda não aprendi que um dos piores erros da vida, é associar aquela música que a gente gosta, do cantor que a gente ama à alguém. O "adeus" é a pior parte, mas pensa só: você só precisa baixar o Spotify e pronto. Próximo. Tem coisa mais fácil que passar uma música? Amigos, não. Tem muita gente por aí querendo ser ouvida. Vamos nos dar uma chance e apertar o play.

Quando eu era mais nova, a solução pra pequenas brigas, como não sentar ao lado da amiga na escola, era excluir a pessoa de todas as redes sociais. Amigos, menos. Se estiver fazendo um mal tremendo, tudo bem, não vou impedir. Mas existe uma ferramente maravilhosa e que toda vez que eu penso nela, levanto e bato palmas. É o "deixar de seguir" no Facebook. A pessoa não deixa de estar ali, na sua lista de amigos, mas é como se ela deixasse de aparecer pra você na rua, nas festas... Você não precisa mais morrer ou perder o ar a cada atualização. Essa opção é o seu balão de oxigênio e seu passe livre pra outras coisas bem mais interessantes que a foto do alguém com outro alguém.

Desesperador? Sim, eu sei. E como sei. Todas essas coisas parecem muito fáceis de ser falar, mas é exatamente por isso que estou escrevendo. Porque cada vez que eu esquecer de uma delas, eu volto aqui. Leio, de novo. A internet pode quebrar! Mas as palavras não vão sumir. Palavras ditas somem, voam por aí, assim como as promessas, caras e os corações que quebram. Por isso, sempre que se sentir perdido, volta pra cá. Sei lá, imprime isso e cola no teto do seu quarto! No espelho ou como protetor de tela. A tecnologia nos ajuda em tantas coisas, até em arranjar novos pretedentes (alguém ainda diz isso ou só eu?)! Calma! Não estou dizendo que é hora de ir pra pista e se aventurar. Se quiser, bem. Mas esteja ciente dos riscos, das quedas e de todo o resto. É como encher a cara por estar sofrendo. Beber três copos enormes de caipirinha não vai anular a dor.

Vocês até podem baixar o Tinder ou o Happn. Dar uma chance àquele cara da faculdade ou do cursinho que não para de te olhar, mas acho que o mais importante nesse momento, é se preparar. Cuidar de você. Limpar a casa para outra pessoa entrar, e se você deixar. A decisão é sua, de novo. Não compartilhada! Vocês são donos da propriedade toda e têm o poder de mudar o pior, pra melhor. Expulsar os sem terra que só querem passar uma noite. O mundo é de vocês, e o coração também. Não perca a chave dele. Fechaduras são bem diferentes, assim como as pessoas. Está na hora de fechar a porta, mas abrir a janela. Permitir-se ver o tempo mudar, o tempo passar e curar o que ainda resta em você. Seu único e inestimável amor próprio.


A casa é minha

18 maio, 2015

Estou desesperada. Dói onde sinto, e não onde toco. Antes fosse dengue, um soco no olho ou cólica menstrual. Todos esses pequenos incômodos são bem irritantes, mas com o tempo passam. Quero dizer, sabemos que vai passar. A gente tem certeza que tem prazo de validade. Mas e quando não é nada disso? Minha mãe costuma dizer que não há dor tão forte que seja eterna. Ela me diz muitas coisas... Eu adoraria me ouvir também. Apesar de nova, consigo dar bons conselhos. Arrumar a vida dos outros deveria ser minha especialidade. Mas por que não consigo faxinar meu próprio coração e mudar a decoração? Deixar entregarem a mobília nova e dar espaço para novos quadros, novas recordações.

Somos casas, gosto de pensar assim. As coisas andam bem ruins dentro de mim e por um bom tempo, guardei tudo, no porão. Escondi a poeira e pintei as paredes mofadas. Não comprei flores, e deixei as janelas fechadas. Não queria ouvir uma voz que fosse. Fui egoísta, me dei ouvidos quando não deveria. A única música que tocava era a com som de ondas batendo ao fundo. Não consegui segurar meu tsunami. A casa mofada, inundou. As paredes não aguentaram e de repente, o lado de fora infiltrou. Acho que eram meus sentimentos, intensos, sendo externados. Não dava mais para esconder que eu precisava de ajuda. Que minha onda não era mais segura, e nem podia ser segurada.

Demora um tempo pra perceber que somos humanos, e não casas. Apesar da comparação, não podemos ser demolidos, no máximo arrebentados. Casas não sangram, pessoas sim. Casas inundam, pessoas choram. E como chorei! Inundaria minha casa de dois andares e o primeiro andar do vizinho ao lado. Ele nem tem nada a ver com isso, e assim pensava quando cogitava compartilhar com meus amigos ou conhecidos sobre o que estava e estou passando. Odiaria ver o meu abrigo alternativo, meu refúgio, ensopado. Já bastam os travesseiros, as mangas do casaco e o cobertor.

Morar em mim tem sido insuportável. Todo dia chove, todo dia um pedaço cai sem avisar. As pessoas querem entrar, resolver, reformar, mas a porta emperrou. Não quer abrir. A chave se perdeu. Os quadros não param na parede, que de rosa, virou bege morto. Se me perguntassem como me sinto, diria bege morto. Espero que a casa não esteja condenada. Não tenho como sair. Estou presa, precisando de uma pintura, novas fotos para pendurar e cola. Se conhecer um mecânico, deixe o cartão. Me ofereça ajuda, mesmo se eu não pedir. Ajo como uma casa, em silêncio, não peço ajuda, e quando mostro o que há de errado, já pode ser tarde demais.

Não sou uma casa. Como diria Bella Swan, "não posso ser consertada". Vou sofrer, vou gritar até alguém me ouvir, mesmo que eu não emita som. Vou cair diversas vezes, recolher os pedaços e montar o quebra-cabeça. Não sou um quebra-cabeça, não sou uma casa. Sou humana. Sinto falta do ar nos pulmões, no momento, em brasa. Não literalmente. Sinto falta das maquiagens não borradas, dos sorrisos espontâneos, sinto falta do lar que eu era pra algumas pessoas e principalmente, pra mim. Sinto não poder fechar a porta e sair. Me abandonar de vez, sabe? Deixar ruínas serem engolidas pelo tempo. Sou eu, não a casa. A prefeitura não pode vir, me derrubar e construir uma nova eu. As coisas não funcionam assim.


Vai ser difícil ignorar o cheiro ruim de mofo ou não ter preguiça. Vai doer, mas eu preciso arranjar tempo pra cuidar do que é meu. Da minha casa, cuido eu. Posso ter ajuda até, mas só eu sei onde cada coisa fica. Eu vou ficar e mudar. Sejam as coisas de lugar ou não. Vou jogar fora o que não pode ficar, ou porque não presta, ou porque não tem mais lugar. Vou esvaziar, como um balão de gás. Vou dar espaço pra mim, vou me deixar tentar, por mim, pra mim e porque eu quero. É a minha vez, agora. Já posso resolver os problemas de casa sozinha. Já sou grandinha e posso ficar em casa sozinha. Cuidar dela.

Não sou uma casa, mas seja bem vindo. Fique se quiser. Estou em reforma, não repare a bagunça. Se quiser me ajudar, estou pedindo ajuda. Estou caindo aos pedaços e pretendo reformar. Vai ser o tempo de mudar de roupa, ou de curar um coração partido.

Seremos o tempo e eu, cuidado de cada detalhe, tendo todo o trabalho que você não quis ter. Você deixou o lar, mas a casa é minha. Fica à vontade pra ir. Eu não sou a casa, você não precisa voltar. Vou cuidar de mim, me dar abrigo. Serei meu próprio lar.

moodboard: inspiration nation

17 abril, 2015
Depois de uma baita aula sobre inovação e criatividade na faculdade, não resisti e montei meu moodboard da semana. Para os leigos, isso consiste em reunir imagens, ilustrações ou fotos de pessoas, coisas ou temas que inspiram.

Além de reuní-los, vou escrever sobre cada um deles. Escrever. Está aí outra dica da aula.


Os tons pastéis estão chamando a minha atenção como nunca nessa vida. Não consigo usar roupas com cores muito vibrantes mais. Se não são tons mais claros, somente tons terrosos. Talvez seja culpa do cabelo atualmente ruivo, mas talvez não. Vá saber!

Ah, e se tiver brilho, glitter, algo mais discreto, mas que me faça parecer uma fada, melhor ainda. Estou a-man-do!

Outro dia vi um post falando do looks do Coachella desse ano e do quanto estavam clichês. Amigas, me desculpem, mas se eles são clichês, quero ser clichê enquanto o "para sempre" durar. Sou apaixonada por boho e queria o guarda-roupa inteiro de todas as meninas que foram. Vale lembrar que Vanessa Hudgens é referência de looks bapho no festival.

Comento todos os dias e com qualquer pessoa sobre como eu amaria me mudar para um lugar diferente. A mesmice do lugar onde moro já me cansou faz tempo, fora que algumas coisas me desanimaram um pouco. O problema não é minha casa, mas sim onde ela está localizada e de que forma está.

Adoraria vivenciar a experiência de morar em um apê. E só meu. E em um dos últimos andares de preferência! Para poder apreciar a noite, ou os tons do entardecer. Os tons mais bonitos do mundo, ainda mais no outono: minha estação favorita.

Depois que fiquei ruiva, não posso ver uma foto de alguém com o tom similar ao meu que já fico pensando em quando vou ter que retocar. Me sinto quando volto a cor da caixinha da minha tinta (que vocês saberão em breve).

Acho que já deu pra perceber que eu ando muito nas nuvens, né? Mas calma, que é literalmente. Tenho observado o céu com bastante frequência. E bastante mesmo! Lembro que nas primeiras semanas na faculdade, quando ia de trem e ainda era horário de verão, podia jurar que conseguiria fotos incríveis e maravilhosas, mas e a coragem de tirar o celular da mochila no meio do trem? Desculpa, mas não pude.


Algumas vezes (muitas, às vezes) as coisas não dão certo. E não adianta sofrer, chorar e querer acabar com a vida, porque ela é feita disso e encarar essa parte trágica, porém "superável" da mesma é enriquecedor. A gente cresce tanto... E não adianta ver e revisar os motivos para tal coisa ter dado errado. Já foi, passou e você tem que continuar.

Não sei se é ultrapassado, mas também não me importo muito. Estampas florais já me deixam apaixonada, mas essas com fundo escuro e que tem cara de cortina ou capa de almofada de sofá me deixam mais feliz ainda! Essa semana passei por uma loja aqui do bairro e ainda tem um vestido lindo, estilo Farm, na vitrine. Com essa estampa! Só tenho uma coisa a dizer: falta menos de um mês para o meu aniversário e eu sei fazer cara de surpresa.

Estou vivendo uma fase bem turbulenta da minha vida, mal posso dormir. São tantas coisas a serem feitas e revisadas que quando chego em casa, ou tenho a oportunidade de ouvir música, não consigo ouvir algo que não me relaxe. Rhye não sai do meu celular desde o início do carnaval. Tem algo nas músicas que me lembra um pouco a Sade. Estou certa ou sonolenta?


Você sempre será o que come, e não adianta negar, porque o seu corpo dirá isso em alto e bom som. Mas também as coisas que ama e será como uma canção para o mundo, e para todos que vivem nele. Será tão real, convincente... as pessoas se renderão a música sincera que sai da sua boca, mesmo que não diga nada. Será você, deixando de ser quem os outros amam, o que os outros dizem, para ser você e tudo mais.

Vocês curtiram? Também curtem fazer moodboards? Estou louca para saber o que inspira vocês!

Com amor

05 abril, 2015

Após o sinal, deixe sua mensagem.

Como odeio ouvir isso! Tanto quanto você odeia falar ao telefone, e talvez seja por isso que a secretária eletrônica funcionou perfeitamente bem. Malditos aparelhos eletrônicos que não seguem nossas expectativas, e funcionam quando não queremos. Chego a crer que tem vida própria e posso até xingá-la.

Pera aí? Está gravando? Ó, Deus! Tudo bem, é... Oi, Paul. É a Tess... e eu não odeio sua secretária eletrônica. Ela até parece ser legal, divertida, sem falar que a forma como fala "deixe" em tom convidativo é bem sexy. Mas a verdade é que eu odeio não poder te ouvir.

Tu, tu, tu.

Você deve estar encarando o envelope nesse momento. Comparando-o com o conteúdo da carta, fazendo uma careta gigantesca! Tentando entender se a mesma pessoa que a escreveu, foi a mesma que a enviou. Questionando a existência de seres alieníginas que ocupam o lugar de moças indefesas e desajeitadas como eu. Mas não! Dessa vez não é história, nem invenção ou rima. Essa é a nossa realidade, a nossa verdade e que nunca foi dita a ninguém. Nem nós sabíamos, até que ouvi dizer de uma pessoa muito sábia que a vida é curta, porém cheia de oportunidades.

Espero não ser tarde demais para dizer que eu... você merece ser amado. E quando digo amado, profundamente, loucamente e verdadeiramente. Exatamente como nos filmes que eu recomendo pra você! Eles são tão melosos e "gays", eu sei. Mas não consigo achar outra forma de definir o amor que você merece. Tem que ser puro, confidente e apaixonante. Que faça a chuva parecer um alívio e não algo que chegou sem avisar, se nem ter sido convidado. Você merece um amor só seu, único, original e cativante.

Vai te fazer suspirar, eu sei. Você pode torcer o nariz e nunca admitir, mas eu vou saber. E como? Quando olhar para ela assim como o Alex olhou para Rosie em Love, Rosie. Vou saber que ela será a pessoa mais sortuda do mundo por ter o seu olhar carinhoso, preocupado e singular voltado apenas para ela. Vou estar em paz, quase que em lágrimas, mesmo que você me peça para não chorar. Mas acontece que eu não posso evitar...

Eu te amo, Paul. E é esse tipo de coisa que as pessoas que amam fazem. Choram quando ficam felizes pelas outras. Vou te contar, as coisas não tem sido fáceis nas últimas semanas, e você sabe. A cidade anda uma bagunça, e aqui dentro do apartamento está um caos: graças a mim. Minhas confusões estão em todos os lugares, até na geladeira. Deve ser por isso que minha calça favorita não passa mais por minhas coxas, mas a questão não é essa.

Nunca tive oportunidade de dizer, mas aqui vai de novo: eu te amo. Eu. Te. Amo. E muito! Desde o primeiro momento em que te vi. E me importo com você, de uma maneira que distância nenhuma pode me desmotivar. E sobre ter oportunidades, eu tive vontade de te dizer isso ontem, enquanto acabávamos com o vinho da casa. Ou quando te liguei chorando, reclamando da minha chefe. Ela me deixa em parafusos! Mas você me repara, e não é só isso. Faz questão de me lembrar que posso funcionar, com ajuda ou sozinha. Independente, cabeça, você diz.

Sinto que posso confiar em você cegamente. E até bêbada! Você sabe meus limites e eu sei seus sonhos e segredos como ninguém. Vou guardá-los comigo para sempre, não importa quanto tempo passe ou quanto peso eu ganhe - Deus, quero emagrecer.

Faltam alguns dias para seu aniversário e estarei viajando. Sinto não poder aparecer com um cupcake cheio de velas e outra garrafa de vinho. Seria maravilhoso chegar de ressaca no trabalho no dia seguinte só pela experiência de virar a noite gargalhando com você mais uma vez. É um grande amigo, Paul. Não há problemas com você por perto. Por mais que reclame, há sempre um hoje é um novo dia na manga. E eu solto um riso que me desarma completamente. Não consigo manter a pose perto de você. Nos dizemos enigmáticos, mas sabemos do que se trata a coisa toda.

Paul... eu não sei como te dizer isso e na verdade, não direi. Mesmo com vários cursos de falar em público e toda aquela baboseira psicológica, como boa redatora, ainda confio mais no meu poder com as palavras. Poderes! Essa palavra me faz rir. Você me diz que tenho vários deles e até hoje, eu não entendi. Um dia você pode me explicar?

Sobre a verdade: eu sempre te quis. Mesmo com as caras de desaprovação, na época em que ambos tínhamos espinhas e quando te comparei com o James Dean. No fundo, eu sabia que ele nem era tudo isso. Já você, sempre foi tudo. Sempre. Desde o começo. Mas sou tão tímida, e orgulhosa e enigmática. Ou talvez eu nunca tivesse deixado claro o suficiente para ambos. E me sinto tão completamente estúpida por isso. Não sou de joguinhos e mentir pra você, seria carregar a culpa de estar mentindo para mim. Já tenho muitos arrependimentos na conta.

O ponto é que não há mais espaço para culpas. Quero deixar tudo no passado e começar de novo. Mudar a cor do cabelo mais uma vez, fazer uma nova tatuagem e sentir a brisa fresca pela janela do carro, enquanto você escolhe o que ouvir. Quero te ouvir, e te ouvir e ouvir, continuar te ouvindo, cantarolando ou bocejando. Seria ótimo se você me ouvisse, se ouvisse o barulho que eu faço quando prendo a respiração enquanto diz algo que me deixa confusa ou se notasse a cara que faço quando estou completamente concentrada em você.

Paul, independente dos meus sentimentos, você é uma pessoa maravilhosa. Que merece tudo de bom, inclusive vinhos. Quando digo seu nome, a minha boca se curva em um sorriso automaticamente. É natural. Não é algo que eu possa evitar, por mais que eu tenha o feito durante todos esses anos, mas eu não posso mais continuar me enganando ou segurando essas palavras na gaveta. Você adoraria vê-las voando por aí, tenho certeza.

Então, as leia. Tenho um monte delas, assim como o céu tem as estrelas. Os times os torcedores, e nós, histórias para contar. Essa é a nossa, e não é mentira. Não é enigma, nem jogar verde, para colher maduro. Essa sou eu, a Tess. Honestamente, amando você. Em todo o seu ser, com todo o meu ser.

Com amor e que é só seu,
Tess.